
AFINADOR DE NUVENS Passo as horas a afinar nuvens, a ouvir-te trovejar nas veias. Desde que me embargaste o corpo com a tempestade, nunca mais me aproximei de mim. O céu ficou senil, gesticula apenas uma miserável nódoa de paraíso onde componho sinfonias com veneno. A cabeça estremece, tenho a memória raptada por sonetos indígenas. Esfuziante o teu rosto desarruma o ódio. Atravesso a pólvora, estrangulo o nevoeiro. Na leveza do silêncio a garganta dorme. A peregrinação de cactos nunca impediu nada. E ali estás tu, o catálogo de precipícios que não esqueço. O coração é um relâmpago a legendar cicatrizes. 3º lugar no prémio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana entre 3027 obras inscritas de 26 paises.
ALBERTO
PEREIRA
POESIA DECLAMADA
AFINADOR DE NUVENS
zeliasantos